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Um ano a observar a tecnologia no colégio: o que aprendemos

Ao longo de 2025/2026, o Observatório sobre o Impacto da Tecnologia acompanhou de perto quatro mudanças que marcaram a vida do colégio: a proibição dos telemóveis, o projeto Apple Education, a Oficina de Inteligência Artificial do 9.º ano e a utilização da IA no dia a dia de alunos e professores.

O relatório final, concluído em julho, reúne a voz de alunos, famílias e professores. Partilhamos aqui o essencial, com os resultados que funcionaram, os que ainda pedem trabalho e o que se propõe para este ano letivo.

1766respostas a questionários, no 1.º trimestre e no final do ano
490respostas de encarregados de educação, a quem agradecemos
4áreas acompanhadas de setembro a julho
1Proibição dos telemóveis

Mais convívio nos intervalos e uma regra que os alunos aprenderam

No primeiro ano de aplicação a todos os anos de escolaridade, a medida conquistou o apoio claro de quem acompanha os alunos: 97,1% dos professores defendem que se mantenha e 82,9% das famílias avaliam-na como positiva ou muito positiva. O ganho mais visível está no convívio, com 94,1% dos professores a notarem melhorias durante os intervalos.

Entre os alunos, a leitura é mais reservada, o que é natural para quem sente mais de perto a mudança. Ainda assim, 69,8% dizem não se sentir mais ansiosos e as suas propostas vão mais no sentido de ajustar a medida do que de a eliminar.

Como cada grupo avalia a medida

Professores34 respostas
91%
9%
Famílias199 respostas
83%
11%
Alunos225 respostas
11%
36%
53%
Positiva Indiferente Negativa

Telemóveis recolhidos por período

219
141
147
1.º P2.º P3.º P

Menos 32,9% entre o 1.º e o 3.º período. A grande maioria dos alunos aprendeu a regra logo nos primeiros meses.

A aprovação das famílias é mais alta no 2.º ciclo e mais moderada no secundário. Muitos pais sublinharam a vantagem de uma regra comum a todos:

«Quando todos os colegas têm acesso é muito mais difícil restringir o acesso individualmente.»Encarregado de educação, 2.º ciclo

O que ainda pede atenção

A aplicação da regra de forma igual por todos os adultos, a clareza sobre o que se aplica depois do horário letivo, um contacto fiável entre família e aluno e mais alternativas para ocupar os intervalos, como material desportivo, jogos e espaços cobertos.

2Projeto Apple Education

O iPad tornou-se o caderno de todos os dias

O projeto está consolidado. O iPad deixou de ser um recurso complementar e passou a acompanhar todo o trabalho do aluno, dos manuais digitais aos exercícios e projetos. Alunos e professores avaliam a experiência de forma muito positiva.

95,3%dos alunos usam o iPad em todas ou na maioria das aulas
93,2%dos alunos consideram a utilização eficaz ou muito eficaz
82,6%dos professores do projeto consideram-no eficaz

Para que usam os alunos o iPad nas aulas

Aceder a manuais digitais
97,4%
Realizar exercícios e fichas
90,6%
Criar trabalhos e projetos
83,3%
Fazer pesquisas
77,1%
Comunicar com os professores
50,5%
Organizar apontamentos
46,9%

Respostas de 192 alunos do 8.º ao 11.º ano. A organização autónoma do estudo é o ponto a reforçar.

Os alunos destacam a facilidade em pesquisar e fazer trabalhos (77,6%) e aulas mais dinâmicas (72,4%). As competências que dizem ter desenvolvido vão da criação de apresentações à edição de vídeo e de imagem.

O que ainda pede atenção

A estabilidade da rede sem fios é a principal dificuldade apontada por alunos (47,9%) e professores (91,3%) e surge como prioridade para este ano. Seguem-se a gestão da atenção em aula e o reforço da autonomia no estudo.

3Oficina de Inteligência Artificial

No 9.º ano, os alunos aprenderam a usar a IA com sentido crítico

Dos quatro eixos, a Oficina é aquele em que a relação entre o que se ensinou e o que mudou é mais clara. Os alunos trabalharam com várias ferramentas e produziram cartazes, e-books, vídeos curtos, códigos QR e páginas de partilha, valorizando sobretudo a liberdade de escolha e a aplicação prática.

O dado mais forte está na integridade: quase três em cada quatro alunos garantem que o trabalho final reflete aquilo que compreenderam e não é uma cópia do que a IA produziu.

Alunos que concordam totalmente com cada afirmação

O trabalho final reflete o meu entendimento, não é uma cópia
73,9%
A Oficina ajudou-me a questionar melhor a informação
65,2%
Sei escrever melhores pedidos à IA
65,2%
Sei reformular o pedido para melhorar a resposta
60,9%
Verifico noutras fontes a informação da IA
47,8%

Questionário de autoavaliação respondido por 23 alunos, complementado pela reflexão do professor da Oficina.

O que ainda pede atenção

Tornar a verificação de fontes um hábito, rever com mais cuidado o conteúdo gerado e continuar a acompanhar os alunos depois da Oficina, já que 39,1% gostariam de ter mais orientação.

4A IA no dia a dia do colégio

Os alunos conhecem cada vez mais ferramentas e usam-nas para estudar

Num só ano letivo, a Inteligência Artificial entrou no quotidiano de alunos e professores. Entre os alunos do 8.º ao 12.º ano, o conhecimento de ferramentas quase duplicou e 81,6% consideram que a IA os ajuda a aprender. Usam-na sobretudo para pesquisar (79,2%), tirar dúvidas (71,0%) e fazer resumos (56,0%).

A evolução ao longo do ano

Conhecem 3 ou mais ferramentas
45,9%
87,9%
Usam 3 ou mais com regularidade
21,7%
51,7%
Início do ano Final do ano

Com que frequência os alunos usam IA

19%
36%
32%
8%
Todos os dias3 a 4 por semana1 a 2 por semanaRaramente

Uma utilização regular, mas não excessiva.

Também 90% dos professores já recorrem à IA, sobretudo para preparar materiais. Na avaliação, a prudência é a regra: 60% dos que usam IA não a aplicam nesta área e os restantes usam-na sobretudo para preparar critérios e questões, reservando para si a decisão sobre o trabalho dos alunos.

«Acho que a escola deveria ensinar a utilizar o IA de forma em que este sirva como uma ferramenta de estudo e não apenas para obter respostas.»Aluno do 12.º ano

Para conversar em casa

Pergunte ao seu educando que ferramentas de IA usa, para quê e como confirma se a resposta está certa. É uma conversa simples que reforça aquilo que o colégio quer desenvolver: um uso consciente, crítico e responsável.

O que o Observatório propõe para 2026/2027

A tecnologia já faz parte do dia a dia do colégio. O desafio agora não é usá-la mais, mas usá-la melhor, colocando-a ao serviço de uma aprendizagem mais autónoma e personalizada. Entre as sugestões do relatório para este ano letivo, destacam-se:

  1. Garantir a estabilidade da rede sem fiosA prioridade identificada por alunos e professores.
  2. Uniformizar práticasUm protocolo comum para a política de telemóveis e um referencial de utilização do iPad por disciplina.
  3. Clarificar a regra dos telemóveis depois do horário letivoAssegurando um canal de contacto eficaz entre famílias e alunos.
  4. Reforçar a autonomia e a organização do estudoCom rotinas de planeamento, gestão do tempo e uso responsável da IA.
  5. Diversificar a ocupação dos intervalosCom mais espaços, materiais e atividades para cada idade.

O Observatório continuará a ouvir a comunidade ao longo deste ano. A participação das famílias foi essencial para este balanço e contamos novamente consigo nos próximos questionários.

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