Ao longo de 2025/2026, o Observatório sobre o Impacto da Tecnologia acompanhou de perto quatro mudanças que marcaram a vida do colégio: a proibição dos telemóveis, o projeto Apple Education, a Oficina de Inteligência Artificial do 9.º ano e a utilização da IA no dia a dia de alunos e professores.
O relatório final, concluído em julho, reúne a voz de alunos, famílias e professores. Partilhamos aqui o essencial, com os resultados que funcionaram, os que ainda pedem trabalho e o que se propõe para este ano letivo.
No primeiro ano de aplicação a todos os anos de escolaridade, a medida conquistou o apoio claro de quem acompanha os alunos: 97,1% dos professores defendem que se mantenha e 82,9% das famílias avaliam-na como positiva ou muito positiva. O ganho mais visível está no convívio, com 94,1% dos professores a notarem melhorias durante os intervalos.
Entre os alunos, a leitura é mais reservada, o que é natural para quem sente mais de perto a mudança. Ainda assim, 69,8% dizem não se sentir mais ansiosos e as suas propostas vão mais no sentido de ajustar a medida do que de a eliminar.
Menos 32,9% entre o 1.º e o 3.º período. A grande maioria dos alunos aprendeu a regra logo nos primeiros meses.
A aprovação das famílias é mais alta no 2.º ciclo e mais moderada no secundário. Muitos pais sublinharam a vantagem de uma regra comum a todos:
«Quando todos os colegas têm acesso é muito mais difícil restringir o acesso individualmente.»Encarregado de educação, 2.º ciclo
A aplicação da regra de forma igual por todos os adultos, a clareza sobre o que se aplica depois do horário letivo, um contacto fiável entre família e aluno e mais alternativas para ocupar os intervalos, como material desportivo, jogos e espaços cobertos.
O projeto está consolidado. O iPad deixou de ser um recurso complementar e passou a acompanhar todo o trabalho do aluno, dos manuais digitais aos exercícios e projetos. Alunos e professores avaliam a experiência de forma muito positiva.
Respostas de 192 alunos do 8.º ao 11.º ano. A organização autónoma do estudo é o ponto a reforçar.
Os alunos destacam a facilidade em pesquisar e fazer trabalhos (77,6%) e aulas mais dinâmicas (72,4%). As competências que dizem ter desenvolvido vão da criação de apresentações à edição de vídeo e de imagem.
A estabilidade da rede sem fios é a principal dificuldade apontada por alunos (47,9%) e professores (91,3%) e surge como prioridade para este ano. Seguem-se a gestão da atenção em aula e o reforço da autonomia no estudo.
Dos quatro eixos, a Oficina é aquele em que a relação entre o que se ensinou e o que mudou é mais clara. Os alunos trabalharam com várias ferramentas e produziram cartazes, e-books, vídeos curtos, códigos QR e páginas de partilha, valorizando sobretudo a liberdade de escolha e a aplicação prática.
O dado mais forte está na integridade: quase três em cada quatro alunos garantem que o trabalho final reflete aquilo que compreenderam e não é uma cópia do que a IA produziu.
Questionário de autoavaliação respondido por 23 alunos, complementado pela reflexão do professor da Oficina.
Tornar a verificação de fontes um hábito, rever com mais cuidado o conteúdo gerado e continuar a acompanhar os alunos depois da Oficina, já que 39,1% gostariam de ter mais orientação.
Num só ano letivo, a Inteligência Artificial entrou no quotidiano de alunos e professores. Entre os alunos do 8.º ao 12.º ano, o conhecimento de ferramentas quase duplicou e 81,6% consideram que a IA os ajuda a aprender. Usam-na sobretudo para pesquisar (79,2%), tirar dúvidas (71,0%) e fazer resumos (56,0%).
Uma utilização regular, mas não excessiva.
Também 90% dos professores já recorrem à IA, sobretudo para preparar materiais. Na avaliação, a prudência é a regra: 60% dos que usam IA não a aplicam nesta área e os restantes usam-na sobretudo para preparar critérios e questões, reservando para si a decisão sobre o trabalho dos alunos.
«Acho que a escola deveria ensinar a utilizar o IA de forma em que este sirva como uma ferramenta de estudo e não apenas para obter respostas.»Aluno do 12.º ano
Pergunte ao seu educando que ferramentas de IA usa, para quê e como confirma se a resposta está certa. É uma conversa simples que reforça aquilo que o colégio quer desenvolver: um uso consciente, crítico e responsável.
A tecnologia já faz parte do dia a dia do colégio. O desafio agora não é usá-la mais, mas usá-la melhor, colocando-a ao serviço de uma aprendizagem mais autónoma e personalizada. Entre as sugestões do relatório para este ano letivo, destacam-se:
O Observatório continuará a ouvir a comunidade ao longo deste ano. A participação das famílias foi essencial para este balanço e contamos novamente consigo nos próximos questionários.
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